Já faz muito tempo, inclusive antes de Steinitz, se pensava que o enxadrista ganhava ou perdia dependendo somente da medida de sua genialidade. Morphy era genial porque vencia a todos; seus adversários tinham pouco talento, porque perdiam para ele.
Steinitz reconheceu e demonstrou que já havia uma base objetiva no xadrez. Os acontecimentos que se sucederam sobre o tabuleiro se subordinavam a certas leis e princípios posicionais. Si o enxadrista se deixa guiar por eles, então obtinha o êxito.
Hoje é evidente que a verdade, se podemos dizer assim, não está na metade, se não na união de ambos elementos, do objetivo e do subjetivo (todo aquele que se haja interessado seriamente pela filosofia, sem dúvida concordará com a síntese da célebre frase de Hegel). Si, naturalmente, a luta se levar na base das objetivas leis posicionais. Porém nos resultados influenciaram de uma forma decisiva as qualidades do enxadrista: seu talento, caráter, estado de saúde e finalmente sua preparação, a capacidade para utilizar sem erros seus conhecimentos, para atuar com profissionalismo no tabuleiro, para encontrar a melhor decisão nas diferentes posições.
A maestria acontece em múltiplas combinações de distintos componentes. Em alguns deles o enxadrista pode ser muito forte, em outros, pelo contrário, fraco. Por de trás das jogas que realizam se encontram seus pontos fracos e fortes. Eles são também os que exercem um fluxo decisivo sobre o desenlace das partidas e da competição e a cada instante sobre o desenvolvimento enxadrístico. Muitos jogadores não poderão desenvolver todo o seu talento, em base devido as suas carências no terreno decisivo.
Tomemos como exemplo o GM Kupreichik. É extraordinariamente forte no ataque e sabe jogar com valentia e engenhosidade. Porém, na técnica e no final é claramente fraco. Por tanto, não chegou a alcançar o nível de jogo que o seu talento lê corresponde. Uma vez que, quando jogava com Kupreichik na primeira liga do Campeonato da URSS, na passagem ao final eu tinha um peão a menos. Porém, dez jogadas depois, já tinha um peão de vantagem. No torneio de classificação para a Copa do Mundo de 1989 eu tinha contra o jovem Gata Kamsky uma posição claramente ganha, com dois peões de vantagem. Poço a poço, sem erros excessivamente graves, perdi esta partida.
Muitos enxadristas perdem muito tempo no estudo das aberturas. Se ocupam somente na preparação da informação, dos novos conhecimentos da abertura que estudam. Estou convencido de que as principais reservas de um enxadrista para o desenvolvimento de uma competição, principalmente nos casos dos jovens, não se deve dirigir-se por este caminho. É mais importante por em desenvolvimento a capacidade de treino para o auto-aperfeiçoamento.
A principal tarefa do treinador para com seus alunos consiste em estabelecer um diagnóstico de cada um deles, para ajudá-los a que cheguem com seu próprio estilo a descobrir tantos os pontos fortes como fracos, para ajudar a liberá-los de seus defeitos e reforçar seus pontos fortes. Para convencer da necessidade de correção através do trabalho, em nossa escola, dedico todas as minhas lições a exemplos dos defeitos que nenhum enxadrista deveria ou poderia realizar, aqueles que influenciam decisivamente no resultado da partida.
.Se você dedica boa parte do seu tempo para o estudo das aberturas, reflita bem se suas partidas tem chegado ao final, mais que isso, se vocês tem ganho de alguma forma através dos problemas que ocorrem no tabuleiro. O exemplo de Kupreichik nos mostra a completa ingenuidade deste tipo de pensamento. Sem dúvida a abertura é uma fase muito importante, porém o final é mais significativo e por isso deve se estudar primeiro.
A debilidade no final se pode mostrar de duas formas principais: no desconhecimento da teoria do final e na deficiente técnica do final. Consideramos a primeira hipótese.
Euwe x Hromadka - Pistyan, 1922 (Exemplo 001) |
Posição inicial - 001a

Posição final - 001b
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Como você jogaria? Não se pode dar a resposta. Ou sabe ou não sabe. É um fator de teoria de final que simplesmente teria que ter dentro da cabeça (para demostrá-lo necessitaria de 50 minutos).
Se o rei, com o bispo de casas negras, se encontra no ângulo branco (com um bispo de casas brancas no ângulo negro), o rei e a torre não pdoem dar mate. Assim também tão pouco é possível vencer com um peão da torre muito avançado (em "h3" ou "h4").
As brancas mantem seu bispo na diagonal h2-h8 e as negras não poderam melhorar a sua posição. A única possibilidade de vitória consiste em chegar com o rei em "h3", seguir com xeque com a torre em "g2" e forçar a resposta Rf1. Se as negras conseguirem chegar com o rei na casa "h3" e separar o rei branco do peão negro pela coluna "g" então conseguirá a vitória. Uma saída para o rei (e também para seu desespero) deveria passar para a casa "h4". Por este motivo o peão não pode passar da metade do tabuleiro. (Para se convercer do que falei, proponho que estudo o manual de finais).
Por tanto, esta é a chave para a vitória: se o peão tiver ultrapassado a metade do tabuleiro, a posição é empate e se não ultrapassou, se ganha. Se Hromadka tivesse este conhecimento, não teria avançado o peão enão deixaria escapar a vitória.
1. ... h4?? 2. Bd4 Rh3 3. Be5 Tg2+ 4. Rf1 1/2:1/2
Aqui já não pode fazer nada mais e os adversários concordaram no empate. . Se o negro tivesse jogado 1.... Rh3 então teria ganho. |
O mesmo erro se repete com muitos enxadrístas. Na partida entre os mestres Novotelnov x Telpugov (moscou, 1951) se encontrou a seguinte posição:
Posição incial - 001-c
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Telpugov jogou igual a Hromadka.
1. ... h4?? |
Até pouco tempo atrás, encontrei um exemplo repugnante de total desconhecimento da teoria de final, quando eu olhava a revista holandesa New In Chess.
Kouls x Stanciu - salónica, 1988 Olimpiada feminina (Exemplo 002) |
Posição incial - 002
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A jogadora que jogava com as brancas, primeiro tabuleiro da Escôcia, encontrou o único caminho (e no mesmo momento saí da revista) para perder a partida. Simplesmente abandonou!
Um fantástico desconhecimento! Qualquer enxadrísta de uma escola de 1ª categoria seguramente já teria aprendido. Porém como podem ver, os conhecimentos da primeira jogadora da seleção escocesa se corresponde a um nível de decoreba. |
Este estudo continuara nos próximos dias!
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