1. e4 e5 2. Cf3 Cc6 3. Bb5 Bc5 4. 0-0 Cd4
Aqui temos uma interessante possibilidade de gambito, 5. b4!?, que até então não o conhecia.
5. Cxd4 Bxd4 6. c3 Bb6 7. d4 c6 8. Bc4 d6 (diag. 004)
Devido a situação do torneio eu devia ganhar a qualquer preço. Não conhecia a teoria da variante. Quando pensava em um plano sobre as futuras ações, me veio na cabeça com quem eu jogava. Meu adversário, o mestre Sujanov, é um enxadrista engenhoso, um excelente tático, por isso ele gostava de atacar, porém não conseguia agüentar as posições calmas e não tinha nenhuma idéia de final (no é surpresa que tivera o mesmo treinador que Pekker).
Para a decisão que tomei, pouco podia ajudar-me às leis enxadrísticas. E a perda da partida só pode se justificar pelo ponto de vista psicológico.
9. dxe5 dxe5 10. Dxd8 Bxd8 11. Be3 (diag. 004a)
O final está igualado. Aproveitemos para observar a maneira de como Sujanov o analisa.
Para vocês, qual seria a resposta exata do negro? O bispo de “e3” é mais ativo que o bispo de “d8”, por isso, o negro devia oferecer a troca de 11. ... Bb6!
Porque a jogada 11. ... Cf6 é fraca?
11. ... Cf6 12. f3
Agora, a 12. ... Bb6 segue 13. Rf2, e a troca se realiza em melhores condições para as brancas. Em primeiro lugar, não esta obrigado a trocar em “b6” e com isso abrir a coluna “a” para a torre negra. Em segundo lugar, aproxima o rei branco do centro. Esta pequena diferença não influencia na apreciação conjunta da posição, mas sim no final, temos que prestar atenção a cada detalhe e acomodar nossos planos aos acontecimentos. Se as negras queriam trocar os bispos, então deviam ter realizado sua idéia de maneira exata.
Não bastando isso, meu adversário tinha outras intenções.
12. ... h5
O negro decide-se pelo ataque. Que idéia ele têm? Seguramente h4, Ch5, Cf4. No meio jogo pode ser um plano bom, porém para o final é uma estratégia curiosa. Agora compreendo finalmente a jogada intermediária.
13. Td1 h4 14. Cd2 h3?
Para que? De agora em diante o peão de h3 é uma debilidade.
15. g3 b5? (diag. 004b)
Seguramente tem esquecido que os peões não pode voltar atrás. Agora também tenho no flanco da dama um objetivo para o ataque, contra o que procederá em seguida com a2-a4.
16. Bf1
A partir daqui o bispo ataca os peões vulneráveis do negro.
16. ... Bb6 17. Rf2 g5 (diag. 004c)
Finalmente pode ser compreendido a idéia (também podemos dizer a imprudência) das jogadas anteriores do meu adversário. Depois de 18. ... g4 ele queria debilitar o peão de “e4” e atacar com o cavalo em “g4” o peão de h2, que depois de h5-h4-h3 estava “fixado”. A 18. g4 seguramente tinha planejado em sacrificar o bispo em “g4”. Engenhoso, porém totalmente irresponsável. Assim é como não se deve tratar um final!
18. a4 g4 19. Bxb6 axb6 20. axb5 Txa1 21 Txa1 gxf3 22. Cxf3! Cxe4 23. Re3 Cd6 24. bxc6 (diag. 004d)
No lance 19. Bxb6 já havia calculado toda esta variante. Agora a posição branca é claramente ganhadora. Rapidamente eu confirmei minha vantagem. |