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Forças e debilidades do enxadrista e seu fluxo no transcorrer da partida - Parte 2

Entrenamiento de elite 1 - Mark Dvoretsky

Realmente muitos jogadores têm cometido inúmeros erros, posso me recordar de um final de torres, bem conhecido pela teoria como empatado, porém no Torneio de Zonal de 1979 Kochyev jogando contra Smyslov cometeu um grave erro. Com isso todas as suas esperanças de se classificar para o Interzonal se foi por água abaixo. Uma célebre seqüência de erros foi realizada entre Capablanca – Menchik, e é bastante divertido que após 45 anos depois apareceu um final semelhante em uma partida que foi decisiva para o destino do campeonato escolar por equipes da URSS.

Pekker x Ermolinsky - Alma-Ata, 1974 (Exemplo 003)

Posição inicial - 003
Estudos de Xadrez Avançado 001a

Posição final - 003a
Estudos de Xadrez Avançado 001b

Com as brancas o jogador moscovita só necessitava de um empate para que sua equipe fosse a campeã. A posição é claramente empatada. O mais simples seria esperar 1. Tb1 ou 1. Rh3. Também era possível 1. Ta8, igual a qualquer retirada da torre pela coluna “a”, exceto uma, a que Pekker escolheu.

1. Ta3?? Rf1 2. Rg3 f2

Depois de 3. Rf3 Rg1! a torre não pode dar nenhum xeque salvador.

Pekker perdeu, e a equipe de Moscou ficou em segundo lugar.

A principal causa do ocorrido foi as carências na preparação enxadrista de Pekker. Seu treinador, um conhecido teórico, dedicava as aulas somente aos estudos das aberturas. E no final seus alunos não sabiam se orientar.

 

Voltaremos agora a técnica do final. Não é suficiente conhecer a teoria. Também tem que dominar os métodos típicos do final, estudá-los, para aplicá-los na luta e compreender com total sensibilidade suas particularidades específicas. Eu recomendo estudar o excelente livro Shereshevsky “ Endgame Strategy ”, para aperfeiçoar-se no tema.

No próximo exemplo mostro como descobrir se um enxadrista não compreende o espírito do final, ou se ele esta em condições de pensar corretamente sobre o final.

Dvoretsky x Sujanov - Moscou, 1968 (Exemplo 004)

Posição inicial - 004
Estudos de Xadrez Avançado 001a

Posição final - 004a
Estudos de Xadrez Avançado 001b

Posição final - 004b
Estudos de Xadrez Avançado 001b

Posição final - 004c
Estudos de Xadrez Avançado 001b

Posição final - 004d
Estudos de Xadrez Avançado 001b

1. e4 e5 2. Cf3 Cc6 3. Bb5 Bc5 4. 0-0 Cd4

Aqui temos uma interessante possibilidade de gambito, 5. b4!?, que até então não o conhecia.

5. Cxd4 Bxd4 6. c3 Bb6 7. d4 c6 8. Bc4 d6 (diag. 004)

Devido a situação do torneio eu devia ganhar a qualquer preço. Não conhecia a teoria da variante. Quando pensava em um plano sobre as futuras ações, me veio na cabeça com quem eu jogava. Meu adversário, o mestre Sujanov, é um enxadrista engenhoso, um excelente tático, por isso ele gostava de atacar, porém não conseguia agüentar as posições calmas e não tinha nenhuma idéia de final (no é surpresa que tivera o mesmo treinador que Pekker).
Para a decisão que tomei, pouco podia ajudar-me às leis enxadrísticas. E a perda da partida só pode se justificar pelo ponto de vista psicológico.

9. dxe5 dxe5 10. Dxd8 Bxd8 11. Be3 (diag. 004a)

O final está igualado. Aproveitemos para observar a maneira de como Sujanov o analisa.
Para vocês, qual seria a resposta exata do negro? O bispo de “e3” é mais ativo que o bispo de “d8”, por isso, o negro devia oferecer a troca de 11. ... Bb6!

Porque a jogada 11. ... Cf6 é fraca?

11. ... Cf6 12. f3

Agora, a 12. ... Bb6 segue 13. Rf2, e a troca se realiza em melhores condições para as brancas. Em primeiro lugar, não esta obrigado a trocar em “b6” e com isso abrir a coluna “a” para a torre negra. Em segundo lugar, aproxima o rei branco do centro. Esta pequena diferença não influencia na apreciação conjunta da posição, mas sim no final, temos que prestar atenção a cada detalhe e acomodar nossos planos aos acontecimentos. Se as negras queriam trocar os bispos, então deviam ter realizado sua idéia de maneira exata.
Não bastando isso, meu adversário tinha outras intenções.

12. ... h5

O negro decide-se pelo ataque. Que idéia ele têm? Seguramente h4, Ch5, Cf4. No meio jogo pode ser um plano bom, porém para o final é uma estratégia curiosa. Agora compreendo finalmente a jogada intermediária.

13. Td1 h4 14. Cd2 h3?

Para que? De agora em diante o peão de h3 é uma debilidade.

15. g3 b5? (diag. 004b)

Seguramente tem esquecido que os peões não pode voltar atrás. Agora também tenho no flanco da dama um objetivo para o ataque, contra o que procederá em seguida com a2-a4.

16. Bf1

A partir daqui o bispo ataca os peões vulneráveis do negro.

16. ... Bb6 17. Rf2 g5 (diag. 004c)

Finalmente pode ser compreendido a idéia (também podemos dizer a imprudência) das jogadas anteriores do meu adversário. Depois de 18. ... g4 ele queria debilitar o peão de “e4” e atacar com o cavalo em “g4” o peão de h2, que depois de h5-h4-h3 estava “fixado”. A 18. g4 seguramente tinha planejado em sacrificar o bispo em “g4”. Engenhoso, porém totalmente irresponsável. Assim é como não se deve tratar um final!

18. a4 g4 19. Bxb6 axb6 20. axb5 Txa1 21 Txa1 gxf3 22. Cxf3! Cxe4 23. Re3 Cd6 24. bxc6 (diag. 004d)

No lance 19. Bxb6 já havia calculado toda esta variante. Agora a posição branca é claramente ganhadora. Rapidamente eu confirmei minha vantagem.

Pelo que já falamos até agora, todo é bem claro. O desenrolo da partida já estava predestinado. Ele jogou apenas com um único objetivo. Tenho a certeza de que a impressão é de que um jogador bem fraco jogava com as peças negras, que muito mal poderia ser da 1ª categoria. Porém eu repito novamente, era um bom mestre, que em outra fase da partida teria jogado de maneira muito diferente. Eu encontrei seu ponto franco. Agora devemos refletir, como se pode ser um grande jogador sem em uma determinada parte concede ao adversário uma vantagem tão grande?

É muito importante não somente nos desfazermos das evidentes carências enxadrísticas como também dos defeitos pessoais e psicológicos. Uma pessoa que não está segura de si mesma sofre a derrota contra a sua própria decisão, como também uma pessoa confiante em suas forças sofre por subestimar as possibilidades do adversário. O jogador que não tem muita decisão ou o que depende da intuição, a cada partida cai em apuros. A relação poderia crescer. Podemos encontrar uma multidão de pessoas com defeitos pessoais, que tem inconstância tão grande nos resultados, quanto apenas os erros enxadrísticos.

Este estudo continuara nos próximos dias!

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